domingo, 1 de novembro de 2009

As controversas da cegueira




A civilização entra em colapso, mas os personagens principais, não sabem do que acontece do lado de fora de uma quarentena que não tem fim. Um filme que mostra que preconceitos e incompreensão se agravam quando o ser humano é colocado em situações-limite: isto descreve apenas em parte o filme que Fernando Meirelles apresenta ao público em sua versão do best-seller de José Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira”.
O filme incomoda e gera opiniões diversas, pois mexe com sentimentos igualmente diversos que mistura humilhação, estupro, racismo e principalmente intolerância. Fome, sede e libido vão tornando o local num sanatório dos horrores.
Entre o livro e o filme há pontos controversos. Na versão em cartaz, o personagem de Danny Glover narra à trama, mas em apenas poucos momentos. Faria mais sentido se a narração fosse feita com mais frequência ao longo do filme e não apenas em algumas poucas cenas… ou, ao contrário, fosse suprimida de vez.
O mais importante, para gostar do filme, é não exigir esclarecimentos (”por que isso aconteceu?”). O mergulho de Meirelles vai além das explicações pontuais: é melhor se concentrar na mudança do comportamento humano, em personagens que não têm nome e são tão bem interpretados pelo ótimo elenco. Gael Garcia Bernal (rei da Câmara 3) e Julianne Moore (esposa do medico) dão show, com boas participações de Alice Braga (mulher com os óculos escuros), Mark Ruffalo (medico que perde a visão) e do já citado Danny Glover (velho da venda preta), com direito a ponta da ótima Sandra Oh (ministra da saúde), entre outros.
Um dos melhores filmes, em minha opinião. Que evidentemente, pode não ser a sua, principalmente neste filme tão controverso quanto instigante. Mas lógico que vale a pena assistir esse filme, que ilustra nossa sociedade.

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