domingo, 1 de novembro de 2009

Esquecer é saber


Carlos? Pedro? João? André? Julio? Enfim, qual é mesmo o nome daquele cara que eu conheci ontem? Ou então, onde coloquei minhas chaves? E ainda tem aquela pergunta típica, sobre o que é que estávamos falando mesmo? Memória, um mistério da humanidade.
Afinal, leitor, porque é que esquecemos aquilo que mais queremos lembrar? É fato que quando nos lembramos de algo isto nos leva a lembrar de outros acontecimentos. Por exemplo, você esta fazendo uma prova, e cai uma questão sobre um assunto que você estava discutindo minutos antes do inicio da prova com uma amiga, que por acaso, foi a mesma que saiu com você sábado, naquela festa que enquanto tocava “aquecimento da mc Jenny” você ficara com aquele cara que você não lembra o nome, mas que no dia seguinte você adicionou no Orkut e ele te mandou um recado perguntando: “quem é vc?”. Como assim quem é você? Enfim, nos lembrar de algo, pode nos trazer varias lembranças.
O que me deixa confusa, e provavelmente o deixara também (ou não!) é o fato de saber que além de lembramos de uma coisa esta lembrança nos trás outra, também nos esquecemos de outras lembrança ao executar a mesma ação. Como assim? Quer dizer que, ao me recordar de algo eu me lembro de outros e esqueço alguma coisa? Isso mesmo! Isso ocorre porque a memória é formada entre a ligação entre neurônios, e quando você se lembra de algo essa ligação sofre uma alteração, mesmo que seja mínima e é onde você esquece.
Você deve estar se perguntando, porque é que você não esquece algumas coisas do tipo, o seu primeiro beijo, suas aprendizagens, como dirigir, a dança do “créu”, enfim, o cerebro usa um tipo de memória para cada tipo de informação que seja armazenada.
A memória, na pratica, se divide em cinco. A memória processual, é nela que você deixa o manual de como andar de bicicleta e não esquece nunca. Pense em um elefante rosa, pensou? Esta é sua memória visual, que lhe permite lembrar de lugares e rostos, por exemplo. Ou então, lembrar daquela festa em família, daquele seu parente que se foi, esta é a sua memória episódica, onde estão acontecimentos de sua vida. Existe também a memória topocinética, que é aquela que grava seus movimentos e registra a posição do corpo no espaço. E enfim, a memória semântica, que é a do conhecimento, que te permite saber quanto é 3x3, por exemplo.
“Eu sou linda, absoluta, eu sou Sthefane, no meu crossfox eu vou sair, vou dançar, me divertir”, sabe aquelas musiquinhas que você ouve uma vez e ela fica na sua cabeça? Então, enquanto você se lembra dessas musiquinhas “as outras memórias” ficam prejudicadas e muitas vezez são aquelas crucias. Como mecanismo de defesa, existe o esquecimento, por incrível que pareça, esquecer é saudável. Imagine você, se lembrando de todos os seus erros, todas as suas dores, todas as suas perdas? Seria terrível e desnecessário.
É preocupante observar que nossa sociedade regride quanto a memória, pois graças a tecnologia e novidades nos estamos cada vez menos usando e exercitando a mesma. Podemos observar isto facilmente em nosso cotidiano, aquele numero de telefone que você anotou direto na sua agenda ou no seu celular, junto com a data de aniversario do seu pai, ou então aquela “cola” que você fez por não treinar sua mente a lembrar da matéria da prova.
A memória tem uma capacidade incrível, inimaginável, porem a utilizamos cada vez menos. “Para alcançar conhecimento, adicione coisas todo dia. Para alcançar sabedoria elimine coisas todo dia” afirma Lao Tsé Tung, famoso filosofo e alquimista chinês. 99% das informações que vão para a memória são esquecidas minutos ou segundos depois, pois desta forma a nossa memória, não vira um entulho e tem capacidade de saber mais, Afinal, qual é mesmo o titulo dessa matéria?

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